Saudações tenebrosas...

Você ultrapassou o portal da realidade... Seja bem vindo(a) á um mundo onde os contos criam vida, mesmo quando falam de morte...

Sidney Leal

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sussurros da Noite...: "A Fuga"

Sussurros da Noite...: "A Fuga": " Enquanto ouvia os gritos vindos da cozinha ele se escondia por entre o emaranhado de caixas de roupa do fundo do quarto, ..."

"A Fuga"

    Enquanto ouvia os gritos vindos da cozinha ele se escondia por entre o emaranhado de caixas de roupa do fundo do quarto, ficando de frente a um velho espelho caído no chão. O menino pegou o pequeno espelho que refletia seu rostinho de criança, refletia também através de seus olhos tristes a cruel realidade do frágil relacionamento daquela família, dos laços de sangue e dor que os uniam.
            Os gritos que ouvia eram um misto de desespero e socorro, ora abafados pelas pancadas que recebia, ora agudos na explosão de dor dos flagelos que sofria.
            Enquanto observava de longe esta cena via as mãos dela que se erguiam na esperança desamparada pelo socorro que não viria... O menino voltava seu olhar ao espelho e tremendo como estava se enregelara no sentimento de ódio, sobrepujado pelo medo e se escondia nas sombras da triste consciência de sua impotência.
            Mas afinal o que poderia ele fazer contra quilo?
            O que poderia ele fazer contra aquele ser que o colocara no mundo, mas se doce era no princípio – Nunca foi – Agora se transformara numa criatura irracional que agredia á aqueles que deveria proteger! Uma criatura vil, egoísta que triste talvez pelos seus fracassos da vida – Nunca saberemos – descontava em inocentes, naqueles que dele dependiam...
            Ainda escondido com os olhos fechados sentia lágrimas silenciosas que lhe escoriam pela face pingando no espelho que ainda segurava firme, e então escutou um barulho seco!
            Que era o corpo de sua Mãe que se chocara contra o chão... Abriu os olhos e viu que seu Pai ainda ensandecido, espumava ódio em pé ao lado do corpo inerte, seus olhos refletiam a ira da angústia e da dor. Sem motivo, sem causa, sem razão... Uma fera irracional.
            Na sua mente de criança esta visão se congelara, se tornando uma lembrança triste que o marcara ao longo de sua vida no manicômio, mas nunca demonstrou isso ou qualquer outro sentimento.
            Tudo por que ainda quando criança, naquela noite... Olhando o reflexo no espelho... Procurou por ajuda no fundo de seus olhos e encontrou uma chave para uma misteriosa porta...
            E se guardou na segurança e no conforto de seu subconsciente e nunca mais voltou.
            
            

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Íntimo...

"Mas aquele que esconde uma alma escura e terríveis pensamentos,

Tenebroso, caminha sob o sol do meio dia,

É ele mesmo sua própria masmorra..."

John Milton

Poema: Eu Amo a Noite

“...Amo os lampejos verde-azuis, funéreos,

Que às horas mortas erguem-se da terra

E enchem de susto o viajante incauto

No cemitério de sombria serra...”

Fagundes Varela

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

SORRISO DE CRIANÇA

“...Quando perguntou quanto lhe custaria um sorriso para a criança...

A criança lhe sorriu espontaneamente;

E só então ele percebeu que não tinha o suficiente para pagar pelo carinho”.
(Sidney Leal)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ESCREVO Á NOITE...

“Quando no vazio das ideias me perco.

Quando na obscuridade do silêncio me refugio.

Fico assim em devaneios perdido por longas horas a fio.

Quando dou por mim muitas horas se passaram...

A noite chegou!

Quando aguço minha audição, ouço ruídos, vozes, lamentação.

São os Sussurros da Noite chamando-me a atenção.

Então escrevo a noite!

Pois é na escuridão silenciosa que a dama geniosa da inspiração permiti-se descrever.

Mas o silêncio não é pleno!

Os Sussurros da Noite são tão audíveis que fico surpreso que poucos os escutem...”.
(Sidney Leal)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

HOMBRIDADE

“Se tens hombridade e teme pelos seus pecados, nunca olhe no espelho.

Pois o preço pago será tal qual foi o seu desatino.

E serás julgado por um Juiz e dele não há como fugir ou se esconder.

Nem hoje, amanhã ou nunca. Pois ele se encontra escondido dentro do seu escuro e negro ser”.
                                                                                                      (Sidney Leal)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A VERDADEIRA TRISTEZA

“Às vezes eu sinto a tristeza, aquela de que tanto li a respeito.

Aquela que pode tocar as pessoas de forma intensa e profunda, tão profunda que são poucos os que conseguem se livrar de seus braços envolventes e seu toque acolhedor.

E eu não sei se sou um deles...

Dos sobreviventes da tristeza!

Não aquela que sentimos tanto no decorrer de nossas vidas.

Mas aquela que nos guia e nos leva até a morte”.
(Sidney Leal)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

EU

“Às vezes quando estou sozinho, chamo a tristeza para sentar e conversar comigo

Quando passa o tempo e percebo que ela sou eu, eu dou risada.

Ela decepcionada vai embora,

Porque sabe que por mais que eu seja ela,

Ela por ser ela não me domina,

Mas isso só me incrimina,

Por que submeto a menina a me servir sempre de pronto,

Isso às vezes me deixa tonto...

À mudança constante do meu modo de sentir”.
(Sidney Leal)

MEU PIOR INIMIGO EU MESMO – Parte I

“Contido dentro de cada ser, um lado obscuro, pouco desenvolvido se esconde. E a noite enquanto o corpo descansa, a mente fervilha, num borbulhar de pensamentos incessantes.

E então, o lado obscuro se projeta intensamente, e o que de dia é imoral, e insensato. A noite se torna plausível, possível, tátil, o medo e o perigo começam. As barreiras da realidade não existem mais, e nada nos protege de nós mesmos”.
(Sidney Leal)