Em suas lágrimas de ressentimento
Me afogo na tristeza da incompreensão
E mesmo sendo em teus olhos que as lágrimas brotem
Mergulho na decepção de seu olhar
Sentindo em meu peito o coração fraco e apertado
Pois seus olhos refletem minha incapacidade
De poder falar aquilo que a tempos pensava
Aquele sentimento forte que segurava em meu peito
A vaidade me cegava e eu seguia te enganando
Mas se a ti decepcionei
Refleti e para mim o baque foi maior
Pois fraco de vontade segui enganando e enganado
A vontade de abraçar a todos era maior
Mas se meu abraço era tão grande porque deixei você escapar de mim.
(Sidney Leal)
"... Quando aguço minha audição, ouço ruídos, vozes, lamentação. São os Sussurros da Noite chamando-me a atenção. Então escrevo a noite! Pois é na escuridão silenciosa que a dama geniosa da inspiração permiti-se descrever. Mas o silêncio não é pleno! Os Sussurros da Noite são tão audíveis que fico surpreso que poucos os escutem...”.
Saudações tenebrosas...
Você ultrapassou o portal da realidade... Seja bem vindo(a) á um mundo onde os contos criam vida, mesmo quando falam de morte...
Sidney Leal
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Procissão Noturna
“... Nasce o Sol, e não
dura mais que um dia,
Depois da Luz, se segue a
noite escura,
Em tristes sombras morre a
formosura,
Em contínuas tristezas a
alegria.”
Gregório de
Matos
“Procissão Noturna”
|
S
|
empre
a noitinha no leito de seus filhos sonolentos as mães cantam velhas cantigas,
sussurradas pelo vento. Uma delas muita antiga se referia ao contento a vida de
uma menina moça na idade de casar, que de dia vivia a dormir sem nada fazer do
trabalho do lar. E na noite brilhante manhosa levantava ela jocosa, a se
debruçar na janela grande de madeira lustrosa. A história assustadora que lhe
contarei agora começa do início do já foi outrora, pois como todas as lendas
vêm e vão, com esta não seria diferente. Sempre acrescentam, ou retiram nos
disseres do povo fatos que não lhe são convenientes. Então vamos começar de
novo o que a noite sussurrou pra gente:
“Florzinha, Florzinha, moça nova
pouco vivida.
Bem tratada e bonita.
Dormia de dia, e acordava a
noite.
Para
em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Em casa nada fazia,
Só escutava sem atenção sua Mãe a
reclamar
À noite quando não farreava nada
fazia.
Sua Mãe cansava de avisar
Florzinha, Florzinha, está na
hora de casar.
De casa nada sabia, e isso não a
preocupava.
Só queria à noite acordar
Para
em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Uma noite muito sombria
Ela viu se aproximar
Uma procissão misteriosa que
baixinho estava a rezar
Muitos eram seus integrantes, e
longas batinas negras a usar.
Longas velas seguravam em plena
noite de luar
E assim curiosa só queria à noite
acordar.
Para
em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Da procissão ninguém nada sabia,
Inclusive uma tia pediu a
Florzinha que se benze-se
Porque com os seres da noite não
se deve brincar.
Mas ela nem se importava e
Noite após noite, ela ficava a
observar.
A procissão noturna que baixinho
passava a rezar
Longas velas seguravam em plena
noite de luar.
Certa noite, as horas já passavam
altas.
E todos estavam a dormir, a
procissão demorava.
Mas Florzinha persistia em
esperar.
E daí então num lampejo de trovão
Apareceu a procissão
Como se do além viesse desfilar
Longas velas seguravam em plena
noite de luar
Florzinha curiosa num salto da
janela à procissão foi se juntar
Nem à noite nem as rezas
conseguiam lhe amedrontar
Sua curiosidade foi tamanha que
ao cortejo foi se juntar
Pois precisava de uma prova da
existência
Da procissão noturna que ninguém
ouvira falar
E ao último integrante Florzinha
sozinha venho a perguntar
-
De
onde vem este cortejo? Que a ele quero me juntar.
Perguntou a menina moça que junto
à procissão estava a andar.
Pois nem à noite nem as rezas
conseguiam lhe amedrontar.
Do encapuzado o rosto não se via,
só se escutava uma reza baixa em harmonia.
Insistentemente perguntou a
menina novamente
Ao encapuzado misterioso na noite
sombria estridente
A menina ficou para trás
O cortejo passou e nada foi
esclarecido
Foi sumindo no véu negro da noite
Mas sua mente não parava de
pensar
No cortejo misterioso que passava
em noite de luar
E com ansiedade ela esperou a
amiga noite retornar
Para
em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Uma noite muito sombria
Novamente ela viu se aproximar
A procissão noturna que baixinho
passava a rezar
Muitos eram seus integrantes, e
longas batinas negras a usar.
Longas velas seguravam em plena
noite de luar
Nem à noite nem as rezas
conseguiam lhe amedrontar
Pois sua curiosidade foi tamanha
que ao cortejo ia se juntar
Mas dessa vez o último integrante
Florzinha viu se aproximar
E apesar de curiosa sentia seu
sangue congelar
E um medo aterrador dela venho se
apossar
- Se tu
entre nos queria, agora poderá estar, em nossa eterna busca aos espíritos
Perdidos
das noites de luar.
A menina congelada nada conseguia
falar
E o estranho encapuzado uma vela
a ela foi entregar
Em sua mão quase descarnada que
estava a segurar.
O cortejo passou e nada foi
esclarecido
Foi sumido no véu negro da noite
Florzinha com a vela em suas mãos
Agora poderia provar
A existência procissão noturna
Que passava em noite de luar
Retomada alegremente guardou o
seu presente
Em uma gaveta do armário.
Pois sabia que no dia poente
agora poderia mostrar
Uma prova da existência da
procissão noturna que passava em noite de luar.
Assim que o sol raiou imponente
Num salto Florzinha levantou-se
rapidamente
E com extrema ansiedade sua prova
na gaveta do armário foi pegar
Sua Mãe levou um susto quando
ouviu grito aterrador da casa se apossar
E em direção ao quarto de
Florzinha correndo foi verificar
De onde vinha este grito que a
todos queria assustar.
Chegando lá amedrontada ela viu
Florzinha caída desmaiada
E no chão do seu lado viu um osso
de defunto jogado”.
A
prova que Florzinha tanta queria venho dobrado, pois provara muito mais que a existência
da procissão noturna.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Insônia...
INSÔNIA
“Calor,
calor, calor...
Calor,
um calor enlouquecedor e eu suava “bicas” olho para o relógio com seu tic-tac
enlouquecedor e vejo para meu terror que ainda era madrugada.
Fico
me mexendo na cama da loucura não achando uma posição á altura de meu sono
perdido. Inquietação! Com o travesseiro não encontro uma posição na cama dura
um velho colchão que só faziam aumentar meu tormento.
Calor...
Oh
maldito sejas pernilongo usurpador! Pois como se não bastasse meu sangue a
roubar ainda tenho de agüentar seu zunido de vitória. E isso só aumenta meu total desalento, como
se não bastasse meu sofrimento com este calor. Ainda isso!
No
quarto apenas a vela acessa e um relógio sobre a mesa me fazia companhia nesta
minha agonia. Pois afinal onde estava o dia que me negava seu aparecimento e
que me livraria deste tormento.
Acompanho
descompassado o minuto no relógio atrasado da loucura, e com isso fico
contente, pois para mim as horas passam diferentes dos outros. Desta forma são
poucos que se sentem aludidos pelo calor e persuadidos pelo terror da solidão
da insônia.
Calor, calor, calor...”
(Sidney Leal)
sábado, 27 de agosto de 2011
UMA VEZ... ELE ESCREVEU UM POEMA
“Uma vez... Ele escreveu um poema
E o chamou “Chops”,
Por que era o nome do seu cachorro, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E uma estrela dourada.
E sua mãe o afixou na porta da cozinha
E o leu para todas as tias dele.
Uma vez... Ele escreveu outro poema.
E chamou-o “Inocência Interrogativa”,
Porque este era o nome de seu pesar, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E um olhar estranho e firme.
E sua mãe nunca o afixou na porta da cozinha
Porque ele nunca o mostrou a ela...
Uma vez ás três da madrugada... Ele tentou outro poema
E o chamou-o de absolutamente nada, porque
Isto era tudo de que tratava.
E ele deu um “A” para si mesmo
E um corte em cada pulso viscoso,
E afixou o poema na porta do banheiro porque
Não pôde alcançar a cozinha”.
(Trecho do livro de Kay Redfield Jamison – QUANDO A NOITE CAI, Entendo o Suicídio)
E o chamou “Chops”,
Por que era o nome do seu cachorro, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E uma estrela dourada.
E sua mãe o afixou na porta da cozinha
E o leu para todas as tias dele.
Uma vez... Ele escreveu outro poema.
E chamou-o “Inocência Interrogativa”,
Porque este era o nome de seu pesar, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E um olhar estranho e firme.
E sua mãe nunca o afixou na porta da cozinha
Porque ele nunca o mostrou a ela...
Uma vez ás três da madrugada... Ele tentou outro poema
E o chamou-o de absolutamente nada, porque
Isto era tudo de que tratava.
E ele deu um “A” para si mesmo
E um corte em cada pulso viscoso,
E afixou o poema na porta do banheiro porque
Não pôde alcançar a cozinha”.
(Trecho do livro de Kay Redfield Jamison – QUANDO A NOITE CAI, Entendo o Suicídio)
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Sussurros da Noite...: Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...
Sussurros da Noite...: Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...: " A escrita do Mestre Machado de Assis, não se limita á apenas a literatura que é mais divulgada. Existem contos do mestre que são de arre..."
Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...
A escrita do Mestre Machado de Assis, não se limita á apenas a literatura que é mais divulgada. Existem contos do mestre que são de arrepiar, e mostram um Machado livre de "cabrestos" literários que infelizmente o marcam. Entre estes contos cito apenas alguns: "A Igreja do Diabo"(conto mais cômico); "Vida Eterna" e "A Causa Secreta".
Ele entre outros autores como por exemplo o Mestre Alvares de Azevedo com o seu inesquecível conto "Noite na taverna" e suas poesias tristes e reflexivas. Não podemos deixar de fora também o Mestre Aluísio Azevedo, com seu conto fantástico "Demônios", que apesar do nome é de uma criatividade e de uma escrita sem igual, lembrando que falamos de um texto escrito em 1891! Entre outros Mestres da Literatura aqui não citados.
Hoje em dia quem escreve histórias de terror fica tachado, descriminalizado. Existem bons textos de terror e poesias, que além de agradar aos adeptos do gênero, surpreendem pelo alto nível da qualidade do texto e da escrita. Ostento esta bandeira e defendo os bons contos de terror! Viva a Literatura Nacional!
Leia mais livros de autores Nacionais, tem muita gente boa por aí...
sexta-feira, 29 de julho de 2011
“Catalepsia Projetiva”
C
|
ansado da obscuridade de seus sonhos ele decidiu acordar e abrir os olhos... No seu quarto tudo estava escuro e o arfar incessante de seu peito em busca desesperada por ar era incontrolável, sentia–se sufocado quase se afogando; Mas não em águas negras e geladas nas quais pudesse nadar e se salvar... E sim no tenebroso e obscuro pesadelo, repetitivo que tristemente tinha de passar todas as noites, daquele no qual não se podia fugir.
Agora acordado lutava ainda para manter–se vivo, buscando ajuda na escuridão um porto seguro para se apoiar e um pouco de ar para sugar para seus pulmões... Mas tudo era inútil, não conseguia respirar, não conseguia se mexer, não conseguia gritar por socorro!
Seria este o preço por fugir de sua cina? Que era a de ter de passar por aquele pesadelo sem fim, incessante todas as noites. O preço por ter se esgueirado por entre as frestas da imaginação e conseguido a consciência de que "se o sonho é seu você nele tudo pode!" Como temer aquilo que não se entende? Como entender aquilo que se teme? Perguntas e respostas insertas como aquele pesadelo que se tinha...
Com isto ainda em mente, num último fio de raciocínio, impotente diante de seu triste destino. Não conseguia respirar! Fechou os olhos e se entregou a sufocante morte que o queria, que com ele lutava e vencia um combate desigual... Que ansiava com paixão sua alma.
Mas derepente o ar aos poucos lhe retornava aos pulmões escassos, que de tão fadigados pela luta que travaram ainda não acreditavam no que ocorria e se esbaldavam como os esfomeados diante de farta refeição.
Seus pulmões de tão desesperados permitiam grande passagem de ar, o que lhe causava tosses fortes, roucas e compridas a ponto de chacoalhar seu corpo ainda inerte sobre a cama e encher seus olhos de lágrimas.
Enquanto tentava se acalmar um leve sorriso de alívio se formava em seu rosto, as batidas descompassadas de seu coração aos poucos se normalizavam... E ele agradecido tentou numa frase entrecortada agradecer ao salvador, aquele que lhe ouvira as preces...
Mas sua voz não saiu!
E esta consciência de vida trouxe á tona outra questão... Estava paralisado! Não se mexia, mesmo se sua vida dependesse disso – Como á pouco presenciou – Tentava sem sucesso mexer as mãos, braços e pernas, mas nada... Seu pescoço não mexia, estava congelado! Gritar era em vão, pois como antes constatado não tinha voz, conseguia falar e se ouvia em sua consciência, mas nada saia de sua boca que também não se mexia...
Já não era senhor de suas vontades, o desespero então retornara estava preso numa prisão sem muros! Onde mesmo o mais hábil dos ladrões – Se humano fosse – Não conseguiria escapar. Seus olhos percorriam com dificuldades o limitado espaço que lhe restara... E nada via além de seu escuro e pequeno quarto vazio, mais nada.
Sentia vontade gritar e assim o fez... Mas o som só era escutado por ele mesmo.
Isso era inacreditável! Poderia estar sonhando?
Poderia ainda estar preso dentro de seu pesadelo, que como se amaldiçoado fosse seguia num patamar sobrenatural de realidade capaz de ser descrito apenas nas mais absurdas das histórias... Dos contos de loucura sussurrados ao pé de ouvido dos internos do sanatório, no encontro das sombras nas noites mal iluminadas nos cantos escuros da casa ou nos contos assustadores do mestre Poe.
Uma triste condição de sofrimento talvez nunca sentida por outro homem – Que se tenha conhecimento, ao menos – Um flagelo incomunicável porque talvez não houvesse retorno, pois se algum ser humano nele tivesse entrado e por desespero se perdesse na linhas frágeis da fé se entregando a loucura!
Enlouqueceria sem resposta ou auxilio condenado á um pesadelo eterno. Talvez porque os mesmos já estivessem mortos.
E como faria ele para escapar?
Gritava e da sua boca saia o silêncio ensurdecedor do desespero, e no seu campo de visão só a escuridão o observava.
Seus olhos já acostumados ao breu que o envolvia, tentavam ver se ao menos a janela do quartinho estava aberta e se por ela era capaz de ouvir o som da realidade das ruas... E deste modo manter a sanidade, mas tudo estava quieto, num silêncio sepulcral... Contínua no livro 13 "Contos".
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Sussurros da Noite...: Lançamento do Livro: "Minhas Histórias de Mistério...
Sussurros da Noite...: Lançamento do Livro: "Minhas Histórias de Mistério...: "Lançamento dia 13 de Agosto, ás 20:00hs na Biblioteca Municipal Maria Eliza de Azevedo Cintra. R. Benjamim Constant, 682 - Centro, Suzano -..."
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A Dama do Espelho
“Quem não quer ver malucos
Deve quebrar espelhos”.
Voltaire
“A Dama do Espelho”
"Estava frio naquele início de noite, e uma chuva torrencial como a muito não era vista caia violentamente. O restaurante do pequeno hotel já iniciara o jantar, quando um novo hóspede adentrou ruidosamente a recepção. O homem de pouco mais de cinqüenta anos de cabelos ralos e totalmente grisalhos, de guarda-chuva nas mãos, tirava sua casaca preta. Enquanto se refazia do frio da noite, registrava-se e como estava apenas com uma pasta de documentos de couro, com sua chave nas mãos seguiu para o restaurante para o jantar. Logo após satisfeito, mas cansado do dia que tinha tido, subiu calmamente estreito jogo de escadas que o levavam ao seu quarto, perdeu alguns momentos procurando o “217” conforme estava identificada sua chave, o corredor também era estreito de madeira pouco iluminado de um verniz escuro dificultava a leitura dos números semi apagados pintados nas portas.
O hotel não era dos melhores, mas devido o mau tempo e como a noite já tivesse iniciado decidiu por bem pousar aquela noite ali mesmo.
Pensava na somatória de eventos inesperados que o levaram até ali... Chegou àquela cidade pela manhã para resolver pendências de propriedade e lei, e como a cidade lhe trazia amargas recordações de um passado que a muito tentava esquecer; Apressava-se em resolver tudo e voltar para a capital.
Embora soubesse que não podia esquecer os fatos do passado, pois estavam tatuados em sua alma. E até geraram uma vida. Um filho.
Pensava na sua condição na data do acontecido, e via hoje aonde chegara, o que o fazia sentir menos culpa é que sempre enviava via depósito no banco central, ou através de um procurador de confiança os acertos financeiros para que nada faltassem a aqueles que ele deixou para trás no tempo.
No final do dia tendo dado por definido suas questões, encaminhou-se para a estação para providenciar a compra da passagem no expresso para o retorno, mas devido a um acidente conseguinte do mau tempo, as viagens seriam adiadas para o outro dia pela manhã. E por este motivo todos os hotéis do lugar estavam lotados de viajantes incautos que pegos de surpresa pousariam na cidade também. O único lugar com vagas foi aquele hotelzinho de esquina com um “Mollin Rouge” na sua esquerda, e com o cemitério das almas pela direita – talvez fosse este o motivo da vaga que restava – O fato é que restava apenas aquele quarto o Duzentos e Dezessete, como se tivesse de ser ali – Sorriu sozinho da bobagem de pensamento que lhe passou pela cabeça.
Abrindo a porta de seu quarto perdeu alguns instantes analisando o lugar... Um quarto pequeno de paredes forradas com papel, possuía duas pequenas luminárias nas suas extremidades, as velas já estavam acessas – Provavelmente enquanto jantava adiantavam-se no preparo de seu leito – Uma cama bastante sólida devo dizer de um colchão razoável de molas. Um criado mudo com um pequeno jarro de água – De bom gosto até, nada mal pensava ele – Mas o que chamou a atenção era que perto da janela se encontrava um majestoso espelho ovulado, grande, emoldurado de madeira de jacarandá com um pedestal também de madeira que tornava possível a sua utilização. Seguiu rapidamente para a janela, pois, a mesma estava semi-aberta e os gotejos da tempestade teimavam em molhar o piso próximo a ela, fechando-a notou que a vista era de vale gramado com construções de pedra que... Limpado os olhos pode ver que se tratava do velho cemitério das almas, essa descoberta o arrepiou.
– Por isso só restava este quarto! Pensou alto enquanto fechava a pequena janela.
Na frente do espelho uma poltrona confortável com uma mesinha e uma abajur – para leitura provavelmente – Trancou a porta e jogando de lado a pasta, tratou de se recostar um pouco na cama.
Ficou assim por alguns instantes, mas quando fechava os olhos as imagens de “antes” lhe voltavam, e conflitavam com as imagens do “depois”. Durante muito tempo tentou inutilmente dormir, mas não conseguiu.
Decidiu então levantar-se e ler alguma coisa; Sentando na poltrona, na procura por distração inspecionava a gaveta da mesinha do abajur, estava vazia, a não ser por um envelope lacrado por cera num brasão antigo por ele desconhecido. E o mais estranho, no remetente estava escrito seu nome!
Ao abrí-lo revelou-se uma letra muito bem feita nos seus detalhes, mas desconhecida da sua lembrança. E já na leitura da primeira linha arrepiou-se por inteiro, afastando o sono que a pouco lhe acompanhava... Contínua no livro 13 "Contos".
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