Saudações tenebrosas...

Você ultrapassou o portal da realidade... Seja bem vindo(a) á um mundo onde os contos criam vida, mesmo quando falam de morte...

Sidney Leal

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cicatrizes

Em suas lágrimas de ressentimento
Me afogo na tristeza da incompreensão
E mesmo sendo em teus olhos que as lágrimas brotem
Mergulho na decepção de seu olhar
Sentindo em meu peito o coração fraco e apertado

Pois seus olhos refletem minha incapacidade
De poder falar aquilo que a tempos pensava
Aquele sentimento forte que segurava em meu peito
A vaidade me cegava e eu seguia te enganando
Mas se a ti decepcionei
Refleti e para mim o baque foi maior
Pois fraco de vontade segui enganando e enganado
A vontade de abraçar a todos era maior
Mas se meu abraço era tão grande porque deixei você escapar de mim.

                                                                                             (Sidney Leal)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Procissão Noturna


“... Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.”
Gregório de Matos

       
“Procissão Noturna”

S
empre a noitinha no leito de seus filhos sonolentos as mães cantam velhas cantigas, sussurradas pelo vento. Uma delas muita antiga se referia ao contento a vida de uma menina moça na idade de casar, que de dia vivia a dormir sem nada fazer do trabalho do lar. E na noite brilhante manhosa levantava ela jocosa, a se debruçar na janela grande de madeira lustrosa. A história assustadora que lhe contarei agora começa do início do já foi outrora, pois como todas as lendas vêm e vão, com esta não seria diferente. Sempre acrescentam, ou retiram nos disseres do povo fatos que não lhe são convenientes. Então vamos começar de novo o que a noite sussurrou pra gente:


“Florzinha, Florzinha, moça nova pouco vivida.
Bem tratada e bonita.
Dormia de dia, e acordava a noite.
Para em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Em casa nada fazia,
Só escutava sem atenção sua Mãe a reclamar
À noite quando não farreava nada fazia.
Sua Mãe cansava de avisar
Florzinha, Florzinha, está na hora de casar.
De casa nada sabia, e isso não a preocupava.
Só queria à noite acordar
Para em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar

Uma noite muito sombria
Ela viu se aproximar
Uma procissão misteriosa que baixinho estava a rezar
Muitos eram seus integrantes, e longas batinas negras a usar.
Longas velas seguravam em plena noite de luar
E assim curiosa só queria à noite acordar.
Para em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Da procissão ninguém nada sabia,
Inclusive uma tia pediu a Florzinha que se benze-se
Porque com os seres da noite não se deve brincar.
Mas ela nem se importava e
Noite após noite, ela ficava a observar.
A procissão noturna que baixinho passava a rezar
Longas velas seguravam em plena noite de luar.

Certa noite, as horas já passavam altas.
E todos estavam a dormir, a procissão demorava.
Mas Florzinha persistia em esperar.
E daí então num lampejo de trovão
Apareceu a procissão
Como se do além viesse desfilar
Longas velas seguravam em plena noite de luar
Florzinha curiosa num salto da janela à procissão foi se juntar
Nem à noite nem as rezas conseguiam lhe amedrontar
Sua curiosidade foi tamanha que ao cortejo foi se juntar
Pois precisava de uma prova da existência
Da procissão noturna que ninguém ouvira falar
E ao último integrante Florzinha sozinha venho a perguntar
-          De onde vem este cortejo? Que a ele quero me juntar.
Perguntou a menina moça que junto à procissão estava a andar.
Pois nem à noite nem as rezas conseguiam lhe amedrontar.
Do encapuzado o rosto não se via, só se escutava uma reza baixa em harmonia.
Insistentemente perguntou a menina novamente
Ao encapuzado misterioso na noite sombria estridente

A menina ficou para trás
O cortejo passou e nada foi esclarecido
Foi sumindo no véu negro da noite
Mas sua mente não parava de pensar
No cortejo misterioso que passava em noite de luar
E com ansiedade ela esperou a amiga noite retornar
Para em sua janela debruçar... Sem saber o que procurar
Uma noite muito sombria
Novamente ela viu se aproximar
A procissão noturna que baixinho passava a rezar
Muitos eram seus integrantes, e longas batinas negras a usar.
Longas velas seguravam em plena noite de luar
Nem à noite nem as rezas conseguiam lhe amedrontar
Pois sua curiosidade foi tamanha que ao cortejo ia se juntar
Mas dessa vez o último integrante Florzinha viu se aproximar
E apesar de curiosa sentia seu sangue congelar
E um medo aterrador dela venho se apossar
- Se tu entre nos queria, agora poderá estar, em nossa eterna busca aos espíritos
Perdidos das noites de luar.
A menina congelada nada conseguia falar
E o estranho encapuzado uma vela a ela foi entregar
Em sua mão quase descarnada que estava a segurar.

O cortejo passou e nada foi esclarecido
Foi sumido no véu negro da noite
Florzinha com a vela em suas mãos
Agora poderia provar
A existência procissão noturna
Que passava em noite de luar
Retomada alegremente guardou o seu presente
Em uma gaveta do armário.
Pois sabia que no dia poente agora poderia mostrar
Uma prova da existência da procissão noturna que passava em noite de luar.

Assim que o sol raiou imponente
Num salto Florzinha levantou-se rapidamente
E com extrema ansiedade sua prova na gaveta do armário foi pegar
Sua Mãe levou um susto quando ouviu grito aterrador da casa se apossar
E em direção ao quarto de Florzinha correndo foi verificar
De onde vinha este grito que a todos queria assustar.
Chegando lá amedrontada ela viu Florzinha caída desmaiada
E no chão do seu lado viu um osso de defunto jogado”.

A prova que Florzinha tanta queria venho dobrado, pois provara muito mais que a existência da procissão noturna.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Insônia...


INSÔNIA

“Calor, calor, calor...
Calor, um calor enlouquecedor e eu suava “bicas” olho para o relógio com seu tic-tac enlouquecedor e vejo para meu terror que ainda era madrugada.
Fico me mexendo na cama da loucura não achando uma posição á altura de meu sono perdido. Inquietação! Com o travesseiro não encontro uma posição na cama dura um velho colchão que só faziam aumentar meu tormento.
Calor...
Oh maldito sejas pernilongo usurpador! Pois como se não bastasse meu sangue a roubar ainda tenho de agüentar seu zunido de vitória.  E isso só aumenta meu total desalento, como se não bastasse meu sofrimento com este calor. Ainda isso!
No quarto apenas a vela acessa e um relógio sobre a mesa me fazia companhia nesta minha agonia. Pois afinal onde estava o dia que me negava seu aparecimento e que me livraria deste tormento.
Acompanho descompassado o minuto no relógio atrasado da loucura, e com isso fico contente, pois para mim as horas passam diferentes dos outros. Desta forma são poucos que se sentem aludidos pelo calor e persuadidos pelo terror da solidão da insônia.
Calor, calor, calor...”
          (Sidney Leal)

sábado, 27 de agosto de 2011

UMA VEZ... ELE ESCREVEU UM POEMA


“Uma vez... Ele escreveu um poema
E o chamou “Chops”,
Por que era o nome do seu cachorro, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E uma estrela dourada.
E sua mãe o afixou na porta da cozinha
E o leu para todas as tias dele.

Uma vez... Ele escreveu outro poema.
E chamou-o “Inocência Interrogativa”,
Porque este era o nome de seu pesar, e
Isto era tudo de que ele tratava.
E o professor deu-lhe um “A”
E um olhar estranho e firme.
E sua mãe nunca o afixou na porta da cozinha
Porque ele nunca o mostrou a ela...

Uma vez ás três da madrugada... Ele tentou outro poema
E o chamou-o de absolutamente nada, porque
Isto era tudo de que tratava.
E ele deu um “A” para si mesmo
E um corte em cada pulso viscoso,
E afixou o poema na porta do banheiro porque
Não pôde alcançar a cozinha”.

(Trecho do livro de Kay Redfield Jamison – QUANDO A NOITE CAI, Entendo o Suicídio)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sussurros da Noite...: Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...

Sussurros da Noite...: Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...: " A escrita do Mestre Machado de Assis, não se limita á apenas a literatura que é mais divulgada. Existem contos do mestre que são de arre..."

Romances, Contos e Poesias de Terror Nacionais...

   A escrita do Mestre Machado de Assis, não se limita á apenas a literatura que é mais divulgada. Existem contos do mestre que são de arrepiar, e mostram um Machado livre de "cabrestos" literários que infelizmente o marcam. Entre estes contos cito apenas alguns: "A Igreja do Diabo"(conto mais cômico); "Vida Eterna" e "A Causa Secreta". 

   Ele entre outros autores como por exemplo o Mestre Alvares de Azevedo com o seu inesquecível conto "Noite na taverna" e suas poesias tristes e reflexivas. Não podemos deixar de fora também o Mestre Aluísio Azevedo, com seu conto fantástico "Demônios", que apesar do nome é de uma criatividade e de uma escrita sem igual, lembrando que falamos de um texto escrito em 1891! Entre outros Mestres da Literatura aqui não citados. 
   
   Hoje em dia quem escreve histórias de terror fica tachado, descriminalizado. Existem bons textos de terror e poesias, que além de agradar aos adeptos do gênero, surpreendem pelo alto nível da qualidade do texto e da escrita. Ostento esta bandeira e defendo os bons contos de terror! Viva a Literatura Nacional!

Leia mais livros de autores Nacionais, tem muita gente boa por aí...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

“Catalepsia Projetiva”


C
ansado da obscuridade de seus sonhos ele decidiu acordar e abrir os olhos... No seu quarto tudo estava escuro e o arfar incessante de seu peito em busca desesperada por ar era incontrolável, sentia–se sufocado quase se afogando; Mas não em águas negras e geladas nas quais pudesse nadar e se salvar... E sim no tenebroso e obscuro pesadelo, repetitivo que tristemente tinha de passar todas as noites, daquele no qual não se podia fugir.
            Agora acordado lutava ainda para manter–se vivo, buscando ajuda na escuridão um porto seguro para se apoiar e um pouco de ar para sugar para seus pulmões... Mas tudo era inútil, não conseguia respirar, não conseguia se mexer, não conseguia gritar por socorro!
            Seria este o preço por fugir de sua cina? Que era a de ter de passar por aquele pesadelo sem fim, incessante todas as noites. O preço por ter se esgueirado por entre as frestas da imaginação e conseguido a consciência de que "se o sonho é seu você nele tudo pode!" Como temer aquilo que não se entende? Como entender aquilo que se teme? Perguntas e respostas insertas como aquele pesadelo que se tinha...
Com isto ainda em mente, num último fio de raciocínio, impotente diante de seu triste destino. Não conseguia respirar! Fechou os olhos e se entregou a sufocante morte que o queria, que com ele lutava e vencia um combate desigual... Que ansiava com paixão sua alma.
            Mas derepente o ar aos poucos lhe retornava aos pulmões escassos, que de tão fadigados pela luta que travaram ainda não acreditavam no que ocorria e se esbaldavam como os esfomeados diante de farta refeição.
Seus pulmões de tão desesperados permitiam grande passagem de ar, o que lhe causava tosses fortes, roucas e compridas a ponto de chacoalhar seu corpo ainda inerte sobre a cama e encher seus olhos de lágrimas.
            Enquanto tentava se acalmar um leve sorriso de alívio se formava em seu rosto, as batidas descompassadas de seu coração aos poucos se normalizavam... E ele agradecido tentou numa frase entrecortada agradecer ao salvador, aquele que lhe ouvira as preces...
            Mas sua voz não saiu!
            E esta consciência de vida trouxe á tona outra questão... Estava paralisado! Não se mexia, mesmo se sua vida dependesse disso – Como á pouco presenciou – Tentava sem sucesso mexer as mãos, braços e pernas, mas nada... Seu pescoço não mexia, estava congelado! Gritar era em vão, pois como antes constatado não tinha voz, conseguia falar e se ouvia em sua consciência, mas nada saia de sua boca que também não se mexia...
            Já não era senhor de suas vontades, o desespero então retornara estava preso numa prisão sem muros! Onde mesmo o mais hábil dos ladrões – Se humano fosse – Não conseguiria escapar. Seus olhos percorriam com dificuldades o limitado espaço que lhe restara... E nada via além de seu escuro e pequeno quarto vazio, mais nada.
Sentia vontade gritar e assim o fez... Mas o som só era escutado por ele mesmo.
            Isso era inacreditável! Poderia estar sonhando?
Poderia ainda estar preso dentro de seu pesadelo, que como se amaldiçoado fosse seguia num patamar sobrenatural de realidade capaz de ser descrito apenas nas mais absurdas das histórias... Dos contos de loucura sussurrados ao pé de ouvido dos internos do sanatório, no encontro das sombras nas noites mal iluminadas nos cantos escuros da casa ou nos contos assustadores do mestre Poe.
            Uma triste condição de sofrimento talvez nunca sentida por outro homem – Que se tenha conhecimento, ao menos – Um flagelo incomunicável porque talvez não houvesse retorno, pois se algum ser humano nele tivesse entrado e por desespero se perdesse na linhas frágeis da fé se entregando a loucura!
Enlouqueceria sem resposta ou auxilio condenado á um pesadelo eterno. Talvez porque os mesmos já estivessem mortos.
E como faria ele para escapar?
Gritava e da sua boca saia o silêncio ensurdecedor do desespero, e no seu campo de visão só a escuridão o observava.
            Seus olhos já acostumados ao breu que o envolvia, tentavam ver se ao menos a janela do quartinho estava aberta e se por ela era capaz de ouvir o som da realidade das ruas... E deste modo manter a sanidade, mas tudo estava quieto, num silêncio sepulcral... Contínua no livro 13 "Contos".