Saudações tenebrosas...

Você ultrapassou o portal da realidade... Seja bem vindo(a) á um mundo onde os contos criam vida, mesmo quando falam de morte...

Sidney Leal

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Feliz aniversário Papai"

"...E em meio às ameaças de Romualdo, Otacílio levanta-se e vai pagar a “maldita” aposta que havia feito. Ao pular a janela do quarto que dava para os fundos do quintal, sentiu o vento gelado do início da madrugada. Ele não sabia ao certo se o frio que sentia se dava pelo vento que às vezes batia com força em seu rosto, somado pelo tecido fino do pijama de Romualdo que usava e que pouco o protegia; Ou se o frio lhe cortava a espinha de uma forma que jamais havia sentido era Medo. Com certeza era isso, já tinha se afastado da casa, Romualdo ainda acenava com mão como se disse se “vai logo moleque!”. Seus pais, pelo menos aparentemente, não escutaram nada. Olhando para estrada de terra batida sob a luz do luar, tudo lhe soava sombrio, as casas as árvores de beira de estrada, e as corujas...
- Deus me defenda bicho agourento! Praguejou Otacílio fazendo o sinal da cruz. Andou alguns minutos, e já se encontrava no início do canavial, um terreno de propriedade de uma família muito rica da capital que pouco aparecia por ali, a área era tão grande que tinha sido dividida em quatro partes que foram batizadas pelos populares da “encruzilhada do canavial”. O local despertava o medo dos moradores e principalmente das crianças, já tinha servido de fuga para gente da pior espécie, ladrões e etc, gente supersticiosa dizia inclusive que nas noites de luar se escutava vindo do canavial os gritos das vítimas. Mas o que realmente amedrontava as crianças, era a justificativa encontrada pelos velhos em relação ao aparecimento de galinhas, ovelhas, e bezerros, mortos depois de um ataque de um animal feroz. Diziam eles, ser coisa de lobisomem. Criatura amaldiçoada meio homem, meio lobo que perambulava nas noites de lua cheia pelo vilarejo. A verdade é que realmente nos últimos meses este tipo de ocorrência tem sido muito freqüente, todos estavam assustados. E com isso em mente estava Otacílio seguindo pelo canavial em direção à encruzilhada. O menino tremia muito, e nesta altura tinha certeza de que não se tratava de frio, o medo realmente o havia dominado, andava cada vez mais rápido, e com desconfiança olhava para os lados, para trás, quase se escutava seu coração batendo de forma desordenada em seu peito. Finalmente chegou ao local – No centro da encruzilhada – Ajoelhou-se desesperado a fim de encontrar logo o lugar onde havia sido enterrado o crucifixo. Imaginava que seria fácil de encontrá-lo, pois imaginara ele que a terra estaria ainda amontoada. Mas via agora que no lugar havia vários montes de terra! Como se tivessem enterrado mais coisas, não entendia o que... Pensou... Romualdo lhe aprontou aquilo para que desistisse e voltas-se com as mãos vazias, sem ter como provar que esteve na encruzilhada.
        - Bicho safado! Vou mostrar pra ele! Depois de ter feito o quarto buraco, os ânimos de Otacílio começavam a esmorecer, estava cansado, e o esforço lhe começava a dar sono, uma nuvem preguiçosa encobria a lua. Um brilho em um dos montes de terra lhe chamou a atenção, e lá estava finalmente o bendito crucifixo de prata! Quando um estalo o assustou. O sono deu lugar ao medo, outro estalo, como se alguém andasse no meio dos pés de cana, Otacílio caiu para trás com o susto, a lua voltava a iluminar a noite, quando viu em meio às canas um vulto enorme..."
Continua no livro: Minhas Histórias de Mistério, Terror & Morte"