Saudações tenebrosas...

Você ultrapassou o portal da realidade... Seja bem vindo(a) á um mundo onde os contos criam vida, mesmo quando falam de morte...

Sidney Leal

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Minha inconcebível presença"


"... Abro os olhos novamente! E estou no mesmo lugar onde eu havia caído, levanto-me rapidamente assustado e descubro que a dor cessara misteriosamente restando apenas uma marca roxa.
– Estou morto? Olhando ao redor vejo que tudo tem um tom fosco negro, as árvores, o céu escuro e sem lua, de uma forma inexplicável minhas roupas adquiriram este mesmo tom. Um vento gelado cortava o ar impiedosamente, e me gelava a espinha. Quando, com dificuldade vi meu cavalo, que parado á alguns metros me lançava um olhar frio e assustador, em seus olhos não se via o brilho da vida, ao invés disso o que se via agora era um tom cinza opaco. A estrada continuava deserta, tremendo tentei me aproximar do cavalo, ele por sua vez demonstrava inquietação.
– Calma amigo vamos descobrir juntos o que está acontecendo. O cavalo deu a entender que não estava muito feliz com a situação, depois de um coice que por sorte me passou raspando, decidi então desistir do animal e prosseguir a pé.
– É assim que me trata! Então vá siga seu caminho! Gritei para o bicho. Andei alguns metros e olhando para trás reparei que o animal me seguia, quando parava ele parava, quando voltava a andar ele também andava.
– Raios! Mais o que este bicho quer afinal? Depois de algum tempo me seguindo consegui finalmente dobrar o bicho, em sinal de agradecimento fiz uma carícia, e me assustei quando senti que o cavalo estava gelado! Gelado como uma rocha. Mas sem alternativas, me fiz de indiferente lá fomos nós pela estrada escura seguindo pela noite sem luar onde as trevas imperavam soberanas. Margeando a estrada o que se via me assustava, todas pequenas casas que encontrava pelo caminho estavam em ruínas, como se há muito tempo a pessoas tivessem fugido do local, nenhum animal nos pastos, homens, mulheres e muito menos crianças. Simplesmente eu não entendia o que estava acontecendo, onde eu estava afinal? Cavalguei quase uma hora e nada de civilização. Até que uma imagem fantástica a minha frente...
Ao longe via se duas colinas, uma iluminada pelo brilho radiante do sol e céu estava azul e limpo, na outra colina o céu estava no mesmo tom negro em que eu me encontrava não se via nada além da desolação das trevas. A estrada se dividia e cada caminho seguia em direção a uma dessas paisagens, de longe na posição onde me encontrava a visão era bela e assustadora, diminui o passo do cavalo e na divisa da estrada, vi que a neblina negra que dominava os céus tinha origem em uma figura estranha.
Era um homem de pele branca de feições assustadoras, bem trajado com um terno branco com uma flor seca na lapela, um chapéu bem alinhado da mesma cor do terno. O que me chamou a atenção é que estava descalço e seus pés estavam sujos de lama até a altura da canelas. Fumava um bonito cachimbo de madeira, de onde saia uma fumaça negra intensa, tão intensa que alimentava toda a escuridão da noite. A figura entre uma e outra bitada ergueu a cabeça sem muito interesse, seus olhos não possuíam brilho, e eram de um negro tenebroso, sua voz cortou minha alma..." 
Contínua no livro: Minhas Histórias de Mistério, Terror e Morte"